Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto — 1915

Personagens principais
Policarpo Quaresma
Protagonista. Major do exército, subsecretário do Arsenal de Guerra. Sonhador, ingênuo, idealista fanático pela grandeza do Brasil. Estuda tupi-guarani, toca violão clássico, defende a agricultura nacional. Sua devoção ao Brasil é inversamente proporcional à capacidade do Brasil de reconhecê-la.
Adelaide (Olga)
Afilhada de Policarpo. Figura de sanidade e afeto no romance. Acompanha sua trajetória com tristeza crescente. Sua perspectiva final — a de quem amava Policarpo sem o idealismo — é o julgamento do narrador sobre a nação.
Coleoni
Imigrante italiano que prospera no Brasil fazendo o que Policarpo tenta e fracassa. Contraste irônico: o estrangeiro sem idealismo pátrio tem mais sucesso na terra que o brasileiro fervoroso.
General Albernaz / Dr. Campos
Figuras da sociedade patriarcal e burocrática que representam o Brasil real — corrompido, medíocre, indiferente aos ideais de Policarpo.
Enredo — 4 momentos
O pedido do tupi-guarani
Policarpo escreve ao Congresso pedindo que o tupi-guarani seja a língua oficial do Brasil. A iniciativa é ridicularizada. Policarpo é internado num hospício por 6 meses — o Brasil literal não aceita a grandeza de seus próprios sonhos.
A fazenda do Sossego
Após sair do hospício, Policarpo compra uma fazenda para desenvolver a agricultura nacional. Resultado: fracasso total. O solo brasileiro, diferente do idealizado, resiste. Os métodos que aprovou não funcionam na prática. Lima Barreto satiriza o ufanismo agrário.
A Revolta da Armada
Policarpo adere ao lado do governo Floriano Peixoto durante a Revolta da Armada (1893). Serve como comandante militar. Acredita estar servindo ao Brasil e à ordem.
A traição da República
Policarpo vê os horrores da repressão florianista — fuzilamentos, arbitrariedades, crueldade. Escreve carta ao presidente denunciando os abusos. É preso por traição, julgado sumariamente e fuzilado. O Brasil que ele amou o mata.
Temas principais
Crítica ao ufanismo e ao nacionalismo ingênuo
Policarpo ama um Brasil que não existe — a nação idealizada dos livros e das tradições. Lima Barreto mostra que o ufanismo sem crítica é armadilha: o Brasil real é burocrático, corrupto, indiferente à grandeza que seus idealistas proclamam.
Fracasso do idealismo no Brasil republicano
A Primeira República não cumpriu as promessas de modernidade e progresso. Lima Barreto — negro, pobre, filho de ex-escravos — conhecia bem o abismo entre o Brasil oficial e o real. Policarpo é metonímia desse abismo.
Marginalidade e exclusão
Lima Barreto era à margem da literatura oficial de seu tempo (dominada pela Academia Brasileira de Letras). Policarpo é também excluído — sua grandeza é invisível para as instituições que deveria honrar.
Ironia como instrumento crítico
O narrador de Lima Barreto é implacavelmente irônico. Cada fracasso de Policarpo é descrito com leveza que torna a crítica mais corrosiva. "Triste fim" — o título já entrega o desfecho, mas a ironia está em tudo que conduz até ele.
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Baixar ReadProPerguntas frequentes (vestibular)
Lima Barreto é considerado pré-modernista?
Sim. Produção entre 1900 e 1922. Características pré-modernistas em Lima Barreto: denúncia social, linguagem coloquial (contra o parnasianismo vigente), protagonistas marginalizados, crítica às instituições republicanas. Mas sua obra antecipa o Modernismo de 1922 em muitas dimensões — especialmente na ruptura com o verniz cultural aristocrático.
O que é o "triste fim" do título?
O fuzilamento de Policarpo pelo regime que ele apoiava. A ironia central: ele é executado pela República que defendeu, pelos ideais que traiu ao denunciar os abusos. O "fim" é triste não só pela morte, mas pela confirmação de que o Brasil que Policarpo amava nunca existiu — e que o Brasil real o destruiu justamente por seu amor.
Qual o contexto histórico do romance?
Primeira República (1889–1930), especialmente o governo Floriano Peixoto (1891-1894), conhecido como "Marechal de Ferro". A Revolta da Armada (1893-1894) foi conflito real entre a Marinha monárquica e o governo republicano. Lima Barreto usa esse contexto para criticar a república oligárquica que substituiu o Império sem mudar as estruturas de exclusão.
Lima Barreto aparece nas questões de vestibular como?
FUVEST, UNICAMP e outros vestibulares cobrem Lima Barreto recorrentemente. Temas mais comuns: crítica à Primeira República, representação do marginalizado, ironia como recurso estilístico, comparação com outros pré-modernistas (Euclides da Cunha), contexto histórico da virada do século XIX-XX no Brasil.